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“Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.” (Fernando Pessoa)
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Amor não é algo que se sente. É algo que se faz!




Por Rosana Braga  
Não é novidade nenhuma afirmar que um dos problemas mais graves e recorrentes em qualquer relacionamento é o da comunicação. A começar pelo significado da dinâmica (sim, porque comunicar-se é como um tango, delicado e profundo ao mesmo tempo!). Muitos casais sequer sabem do que é feita a autêntica e eficiente comunicação.
Comunicar-se com a pessoa amada não inclui somente falar, seja sobre o que pensa, sente ou quer, como a maioria acredita. Inclui especialmente e acima de tudo, ouvir. Mas não ouvir somente com os ouvidos, somente as palavras que estão sendo ditas, somente o que é conveniente.
Para que uma conversa realmente termine bem, ou seja, sirva para resolver pendências, amenizar crises e solidificar o amor, seus interlocutores devem ouvir com todo seu ser, incluindo sensibilidade, intuição e a firme decisão de - por mais difícil que seja - compreender o que o outro está pensando, sentindo e querendo!
Mas por que isso parece mesmo tão difícil? Simplesmente porque aprendemos que conversas entre casais que discutem alguma divergência têm de virar briga, onde cada um deve tentar falar mais alto que o outro e provar, a qualquer custo, que está com a razão! Aprendemos, infelizmente, que conversas são como jogos, e servem para mostrar quem é o vencedor e quem é o perdedor! Mas, definitivamente, isso nunca funcionou e nunca vai funcionar!
Simplesmente porque num relacionamento, seja ele de que nível for, não existe um certo e um errado e, sim, dois pontos de vista, dois pedidos, dois sentimentos, duas interpretações, dois universos que, em última instância - e isso posso afirmar com toda certeza do mundo - só querem ser aceitos, amados e felizes!
Mas enquanto um e outro falarem como se disparassem flechas em direção ao alvo, enquanto tentarem impor seus desejos e repetirem frases-feitas do tipo "com você, não dá para conversar", "você nunca me ouve", "você é um egoísta-cabeça-dura", não vão chegar a um consenso, muito menos à paz que tanto desejam (mas não sabem como alcançá-la).
Parece mesmo paradoxal essa vontade de viver um grande amor, cheio de alegrias e aquela harmonia de quando estavam completamente apaixonados e, ao mesmo tempo, essa estranha e angustiante fome de discussão, desentendimento e embate pelos motivos mais bobos, pelas razões mais infantis, por questões que, no fundo, na maioria das vezes, não têm nem metade da importância que se dá a elas durante uma briga.
A impressão que fica é que, em algum momento da história, solidificou-se a idéia - completamente equivocada e ineficaz - de que amor é isso: uma queda de braços, um interminável vai-e-vem de destilar a própria raiva à custa do outro para, em seguida, arrepender-se e fazer as pazes. Mas acontece que isso só serve para desgastar a relação, acumular mágoas e amontoar frustrações.
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Você conhece a pessoa que ama?

por Flávio Bastos
Em busca de necessidades latentes e inerentes ao ser humano, como o afeto, o prazer e a companhia, as experiências amorosas fazem do indivíduo um eterno perseguidor do amor ideal. Mas, será mesmo que conhecemos essas pessoas que passam pelas nossas vidas e as quais acreditamos amar?
No mundo dos relacionamentos afetivo-passionais, existem relações rápidas ou ocasionais que nos ensinam pouco sobre o amor. Existem outras, duradouras, que acrescentam mais lições. Mas aprendemos mesmo é com os relacionamentos intensos que duram muito ou pouco tempo. Na verdade, não existe uma fórmula pronta para que o amor reine absoluto entre dois seres que afirmam "amarem-se". A regra básica ou simples orientação natural, é a do conhecimento mútuo permanecer acima dos interesses egocêntricos da demanda individual.
No entanto, a expectativa que predomina a cada novo relacionamento, é ambos buscarem o suprimento de amor que lhes falta, ou seja, a compreensão, o afeto, a satisfação e a completude. Expectativa que, geralmente, provoca frustração em decorrência da imaturidade emocional de quem procura inconscientemente no outrem, somente "receber" e não "dar" o que este necessita.
Ora, não existindo uma troca entre o "dar e receber", o amor incompreendido por ambos,  transforma-se numa relação superficial, cujo principal objetivo é a satisfação de necessidades primárias.
Num relacionamento de proposta amorosa, se não houver a vontade -e a necessidade manifesta- de conhecer o outrem: seus medos, angústias, fraquezas, virtudes, entre outros, a relação torna-se superficial e inclinada ao fracasso por atender a demanda egocêntrica de cada um. Se não houver conhecimento mútuo, não há compreensão. Se não existir compreensão, inexistem valores que possam qualificar esssa relação e levar os envolvidos a um amor emocional e espiritualmente maduro.
A experiência tem demonstrado que muitos casais que vivem juntos passam a vida inteira como se fossem desconhecidos. Situação geradora de crises de relacionamento que se acumulam pela imposição de egos que não cedem à conquista, à compreensão e ao conhecimento do outrem. Tornam-se pela rigidez egocêntrica, egos resistentes a aprendizados que levam o indivíduo a uma visão mais profunda do amor nas relações afetivas.
O egocentrismo infantil, herança de um espírito ainda imaturo na compreensão do amor, e reforçado na relação empobrecida com os pais ou substitutos da vida atual, é responsável pela grande maioria das crises ou separações de casais. A necessidade da satisfação narcísica em detrimento do amadurecimento emocional e de conhecimento do outrem, faz das relações afetivo-passionais, uma interdependência afetiva de característica obsessiva ou uma simples convivência entre desconhecidos em que somente o processo de autoconhecimento - via psicoterapia individual ou terapia de casais - poderá ajudar.

Amar exige a intensidade dos amantes apaixonados, mas também exige a intensidade da descoberta do outro pelo conhecimento do que este representa na sua integridade psíquico-espiritual-emocional, porque as afinidades que levam os amantes ao amor que une e completa, passa pela libertação dos aspectos tirânicos do ego.
Por força da cultura ocidental, que hipervaloriza o sexo na relações amorosas, esquecemos que não é só de sexo e prazer que evolui um relacionamento. Além das conquistas materiais e satisfação sexual que são ingredientes importantes na receita da convivência saudável, as relações crescem com o desenvolvimento de valores que dizem respeito ao companheirismo e à espiritualidade do casal.
Não esqueçamos que o contexto "amar" representa uma gama de aprendizados que adquirimos não em uma única vida, mas em muitas vidas do ser imortal.
Portanto, acima de tudo, amar é receber e dar. É conhecer, compreender e aceitar. É abdicar dos exageros do ego em benefício do amor fortalecido pelo mútuo conhecimento e pelo desapego gradual do materialismo observado como uma verdade única e incontestável. O amor, na verdade, é o carro-chefe da felicidade, e para sermos felizes no amor é preciso conhecê-lo, porque conhecendo-o, despertamos para um sentimento profundo, verdadeiro e real.
Fonte:
http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=25216